Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Fim (no sapo)

Acabou aqui, mas continua aqui:


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Até lá,


Joana Bastos e Sérgio Barbosa




Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
O velho

Era já velho, ainda que a designação velho, como se sabe, por ser uma espécie de rótulo ou definição de algo que perdeu o valor, não seja bonita para se usar. Não é o caso.

O Senhor Dias criou três filhos: uma rapariga e dois rapazes. Não pode dizer-se que lhes mudou a fralda ou que os alimentou, mas muito contribuiu para que percebessem a importância do respeito pelo outro. Nesta altura, são já moços feitos e cada um com a sua casa e a sua família, embora com sortes diferentes. Mas isso não será para aqui chamado.
Ouviu à distância a segunda guerra mundial e o horror do holocausto, mas sentiu na pele a repressão da ditadura e a revolta da guerra colonial. Lembra-se da chegada da televisão a Portugal e, embora na altura fosse um objecto raro, conseguiu vislumbrar aquilo que os entendidos diziam que era o homem a pisar a lua. Foram anos duros, em que muita coisa escasseava.
Foi-se dedicando a várias profissões, conforme ia havendo trabalho. Mas uma nunca descurou: uma espécie de guardião da igreja. Dava-lhe prazer, a ele e à mulher, que sempre o acompanhou naquelas andanças. Abria as portas da igreja e era o auxílio mais precioso do padre, não só no serviço religioso, mas também como ponte para chegar aos fiéis: já se sabe que os padres têm sempre alguma altivez, talvez por se acharem demasiado perto do céu, e por isso nem sempre conseguem compreender os pecados dos comuns cidadãos.
Cuidava da igreja, como se fosse sua, e esmerava-se como alguém que gosta de mostrar a sua casa bonita e bem arrumada. Conhecia quase toda a gente que por ali passava, pelo nome, pela família de origem, ou pela frequência com que visitavam aquele espaço. Estava também a par do obituário, ou não fosse ele o responsável pela continuação de muitos dos rituais existentes naquela cidade, que mais parecia uma vila.
Agora, com o peso dos anos, e depois de chegada a reforma, deixou-se de muita coisa, mas não se desabituou de acordar cedo, de cumprir os horários das refeições, de se preocupar com os filhos, de guardar a sua igreja e ajudar a velar pelas almas que partem. Podendo parecer uma opção algo mórbida, não o é. Apenas desejava consolar aqueles que ficam, com dois dedos de conversa ou simplesmente com a partilha do silêncio. A verdade é que também para ele era estranho ver partir aqueles com quem muitas vezes conviveu ou outros que teriam ainda muito para viver. Questionava muitas vezes a morte e em segredo duvidava da justiça divina, mas em vão, não encontrava respostas, por isso recolhia-se num silêncio profundo e numa indignação que não passava nunca para fora. Tinha sido assim desde sempre, falava mas apenas do banal que a vida é, não se atrevendo nunca a discutir sentimentos e a pôr em causa, publicamente, os desígnios de Deus. Mas houve um acontecimento que abalou profundamente a sua fé. Ele, que nunca tinha exagerado com as bebidas alcoólicas, nuca tinha fumado, nunca tinha feito grandes disparates, viu-se perdido nas encruzilhadas da incerteza que uma doença grave traz consigo.
Lembra-se perfeitamente do dia e lembra-se também de não ter contado a ninguém que ia ao hospital saber os resultados dos tão esperados exames. A esposa sabia, mas não sabia tudo. Ele preferia sofrer em silêncio, como lhe ensinaram, não querendo de todo ver pena estampada nos olhos daqueles que o conheciam.
Vieram os resultados e, com eles uma profunda dor, percebida apenas pelo homem baixo e pouco falador que era o Senhor Dias. Estava velho, só podia ser disso, pensou.
Fingiu-se indiferente à enfermidade. A esposa, companheira de sempre, só se apercebeu à noite, quando o Senhor Dias, embrulhado nos lençóis chorava.
 
Joana Bastos

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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
ascent

 

Será possível traduzir por palavras a música que imaginamos interiormente?

Bernardo Sassetti

 

Joana Bastos

 




Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Actualização

 

 

 

Enquanto não surgem palavras novas, por excesso de preguiça, por falta de tempo e por ausência de ideias, fica um filme deste fim de semana chuvoso.

 

Próximo exercício: Ira: libertação e disciplina

 

Joana Bastos

 



publicado por 24Psi às 14:32
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Humor

Serei capaz?

 

Sérgio Barbosa




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